A ocupação acelerada das encostas da Serra dos Órgãos e dos maciços residuais que cercam a Baixada Fluminense trouxe um desafio técnico que não pode ser subestimado: a estabilidade das vertentes. Em Duque de Caxias, a mancha urbana avança sobre terrenos com inclinação superior a 15 graus, onde o contato entre solo residual jovem e rocha alterada do embasamento cristalino gera superfícies potenciais de ruptura. A norma ABNT NBR 11682:2009 estabelece os critérios de classificação de risco e os fatores de segurança mínimos — 1,5 para deslizamentos — e nós aplicamos esses parâmetros com rigor. Um ensaio CPT executado no sopé do talude revela a posição exata do lençol freático e a resistência de ponta das argilas siltosas, informação que retroalimenta o modelo geomecânico antes de qualquer análise de estabilidade. Em Caxias, já identificamos taludes com fator de segurança inferior a 1,0 em períodos de chuva concentrada de verão, o que exigiu intervenção imediata com obras de contenção e drenagem superficial.
Em Duque de Caxias, a chuva concentrada de verão reduz a coesão aparente em horas e transforma encostas estáveis em superfícies de ruptura ativa.
